Mais mal ou pior

Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de Português

A dúvida entre a utilização de mais mal ou pior surge em duas situações principais: aquando de sua utilização com um verbo no particípio assumindo valor de um adjetivo e aquando da utilização de expressões que estabelecem uma relação entre um mal e um bem, como na expressão fazer mais mal do que bem.

À semelhança do que ocorre com a expressão mais bem e o advérbio melhor, a utilização de pior ou mais mal antes de particípios é indiferente, estando as duas formas corretas, quando o advérbio mais modifica o advérbio mal e juntos modificam o verbo no particípio. 

Exemplos:

  • Este foi o projeto mais mal desenhado.
  • Este foi o projeto pior desenhado.
  • Minha estrutura está mais mal construída do que a sua.
  • Minha estrutura está pior construída do que a sua.
  • Aquela casa está mais mal pintada.
  • Aquela casa está pior pintada.

É, contudo, obrigatório o uso da forma analítica mais mal quando o advérbio mais modifica um conjunto indissociável formado pelo advérbio mal e pelo verbo no particípio. Essa relação entre o advérbio mal e o verbo no particípio é facilmente identificada nos casos hifenizados.

Exemplos:

  • Você é, sem dúvida, o aluno mais mal preparado do grupo.
  • Vocês foram as mais mal vestidas da festa.
  • Suas atitudes foram mais mal vistas que as dele.
  • Ele é o mais mal-educado diretor da empresa.
  • Meu irmão sempre foi o mais mal-intencionado dos voluntários.

Quando mal e o particípio não se encontram hifenizados, a análise da relação existente entre eles é mais difícil de ser feita, sendo assim recomendado, para evitar o erro, que se use sempre a forma mais mal antes dos particípios.

Relativamente à expressão fazer mais mal, há uma substantivação de mal, sendo sinônimo de mais danos, estragos, calamidades,…

Exemplos:

  • O que faz mais mal à saúde?
  • Cachaça faz mais mal que cerveja.

Palavras relacionadas: mal, pior.


Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.

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